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O talvez e o conforto

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Talvez realmente existe algo/alguém maior que a gente e que onipresente como nos apresentam sabe toda vez que cai um fio de nosso cabelo. Talvez realmente para cada um de nós exista um anjo, um guia, que estará para sempre ao nosso lado nos protegendo e guiando. Talvez realmente nossos entes que já se foram estejam por aí nos cuidando. Talvez realmente nosso sexto sentido seja intuído por alguma alma boa que só quer que escolhamos o melhor caminho e talvez realmente tenhamos um caminho traçado. Talvez realmente um sonho possa significar uma mensagem ou uma mensagem possa vir através de outro ser animado ou não. Talvez realmente toda vez que ascendamos uma vela e fechamos os olhos nossos pensamentos e preces irão chegar ao local determinado e ouvidos certos. Talvez realmente estamos cercado desse invisível que tanto nos conforta e nos segura, através daquilo que muitos chamam de fé, nos piores e melhores momentos da vida.

Talvez não, talvez não exista nada, absolutamente nada além de energia física e o nada. Somos sozinhos por natureza e quiçá contamos com apoio de terceiros. Quem sabe seja só isso, viver, sobreviver, encontrar amores, perdê-los, levantar todos os dias sem realizar nada grande ou admirável, trabalhar para ter algo, ter uma família nos moldes que a vida nos proporcionou (do formato “um ser e uma planta” ao “grande família”), realizar um sonho aqui outro acolá, se sentir feliz alguns momentos e sentir o tédio ou vazio em tantos outros. Quem sabe seja isso, anos e anos cultivando seja o que for para um dia morrer, morrer sozinho ou cercado de carinho, mas simplesmente saber que ao fim seu cérebro se desliga e deu, fim da sua pequenina existência.

Não sei em qual grupo me encaixo, depende do humor, do dia, do momento. Sei que no meio de crenças e descrenças sobre o conforto emocional uma coisa é fato: não existe nada melhor que um abraço, um forte, prolongado e verdadeiro abraço. E não precisa ser de um conhecido amado, basta ser sincero em potência.

Abraço refaz o ânimo e a alma, seja qual alma você acreditar ter ou não ter.

Postado ao som do mantra Ôm Namo Shivaya

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Previsão de Neve

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Naquele domingo melancólico o frio fora do seu apartamento batia em sua janela trazido pela chuva e vento, 2ºC era o que informava seu celular, na madrugada previsão de neve, fazia tempo que ela não a via, a neve e seu amor, ela pensou. Ex amor na verdade, ela retificou o pensamento. Na verdade já não sabia o que aquela mulher significava, alguém que um dia significou tanto, aos olhos do tempo se torna quase sem contorno, menos que uma sombra. Estranho era o amor, ou as pessoas, nunca tinha chego à uma conclusão.

Precisava de uma boa caneca de chá, porém não era só frio do ambiente que a estava incomodando, era o frio que vinha de dentro. Há tempo sozinha, há tempo se protegendo do sofrer, há tempo a solidão era sua companhia, estava cansada, ela sabia. Opção ou falta de opção, isso não sabia. Aliás, existiam muitas coisas que ela não sabia sobre ela mesma. O fato é que a previsão da neve despertou nela lembranças e dores, e as cicatrizes começaram a coçar, algumas tinham se tornado quelóides, outras marcas de verão na pele. Fazia tempo que elas não a incomodavam, afinal tinha escolhido não pensar mais no que se fora, nem em quem ela se tornara, com isso ela também ficou suspensa em sua vida. “Vida só de coisas boas não existe”, t’aí outra cousa que ela sabe.

Contudo, noites gélidas e domingos têm essa força dentro dela, de jogar o frio na cara e a solidão nos pés, geralmente ela se mantinha forte, mas a previsão de neve, há mais de uma década não nevava em sua cidade, estava pesando demais e quando no celular chega a mensagem, de algum amigo desavisado sobre seu estado emocional naquele momento, perguntando como ela estava, não aguentou, foi como uma facada e no chão sentou para sangrar.

Lá ficou por milhares de segundos, chorando através de todas as cicatrizes, lembrando de momentos, diálogos, caras e caretas. Recordando antigas lágrimas, sonhos abandonados, planos nunca concretizados, amores destruídos, sorrisos perdidos, amizades indo, fatos nunca acontecidos. Solidão no olhar, coração carente, pernas fechadas para o toque.

Lá ficou até as lágrimas secarem e ter a coragem de levantar, o chá agora gelado não fazia muita diferença, estava exausta, seu passado lhe cansava, mas mais ainda o futuro que nunca chegou, ela sentia nessas horas que ainda corria para Ele, mesmo tendo a certeza de que Ele nunca viria a ser presente. Não sabia como desapegar, não sabia como se apegar.

Foi para a janela, a neve já tinha coberto a grama, e caía forte, – 3ºC, mais frio que isso ela tinha certeza que nunca seria, era disso que ela precisava, só disso, a chance de voltar para o zero. E ali naquele momento, fitando o termômetro, ela soube que pelo menos nos próximos anos não iria nevar.

Postado ao som de Norah Jones – Good Morning

O facebook é autista!

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Nunca estivemos tão sozinhos, nunca sentimos tanto vazio e solidão. Num mundo onte estamos 24h conectados uns aos outros as relações humanas nunca foram tão rasas e descartáveis. O real ficou em segundo plano, mas é nesse plano que a vida acontece e isso muitas vezes me incomoda. Afinal, nós não somos o nosso personagem do facebook, ele pode até carregar nosso nome mas não nossa identidade.

Não somos tão belos como aquelas fotos (nem tão sorridentes), nossa vida não é tão bacana e interessante, não somos tão politizados assim, apesar de termos opinião para tudo nesse mundinho virtual, mas ter peito de defender nossa opnião ao vivo e cores, isso não temos. Conseguimos anunciar para os nossos 549 amigos que hoje acordamos tristes (em busca de conforto? atenção?) porém somos incapazes de pedir colo para nosso melhor amigo. Conseguimos curtir qualquer imbecilidade que as pessoas postam, mas esquecemos de dar um abraço a quem precisa, a quem merece ou só pelo prazer de abraçar. Conseguimos ser engraçados e descolados nas nossas frases do twitter, entretanto não sabemos mais rir das ironias da vida e nem sorrir com a mesma facilidade que sorrimos atrás da tela do computador, quando estamos sozinhos nesse outro mundo.

Criamos perfis em milhares de sites de relacionamentos destacando o que temos de melhor em busca de um grande amor ou amizades, mas não conseguimos dar um elogio ao ser que está na nossa frente (e ai daquele que me curtir, que perceber uma qualidade minha nessa vidinha real que respiro). Enquadramos essas pessoas num esquema onde a foto é o que vale mais, o resto é resto, e dúvido que a maior parte seja lido dentro desses perfis, e esquecemos que ao vivo, quando nos apaixomamos, nos apaixonamos justamente por pequenas coisas: um olhar que brilha, um sorriso que encanta, uma gargalhada que não sairá mais da sua cabeça, a discussão calorosa por causa daquele filme que vocês coincidentemente amam, a música que toca ambos por magia, a conversa boba que revela um deslize. Esquecemos que nos apaixonamos justamente por toda aquela imperfeição em forma de ser, seja pruma amizade ou um amor. Conseguimos digitar sobre nossos sentimentos (quantas declaraçoes de amor lemos todos os dias em nossas redes sociais, aos pais, amigos, amores, bichos de estimação, até a natureza!!), mas esquecemos de dizer de vez em quando o lindo e curativo “eu te amo” para eles ouvirem e não lerem, ou de reciclar.

Temos tempo para responder todos os e-mail que nos mandarem num dia, temos tempo para ver todas as atualizações de todos em todas as redes, temos horas e horas para navegar, mas não conseguimos ir almoçar com nosso amigos que não vemos a tempo, ir tomar o gostoso choppinho com aquele colega, a reunião com a família, a viagem de final de semana só para relaxar, e às vezes, o mais absurdo do mundo, não tempos nem tempo de ligar e dizer um oi! (isso num tempo de ligações a $ 0,25), de perguntar se tudo está bem ou de dar parabéns pelo aniversário (escutar a voz daquela pessoa dizendo um singelo parabéns, me toca mais do que ler tudo de lindo que ela tem para me dizer).

E os exemplos são intermináveis dessa virtualização de nossa vida real, dessa preferência pelo frio de uma tela de computador do que a pele que aquece, do que a palavra sentida no fundo do tímpano que ressoa em nossos cerébros com cores, sons e reais sentimentos. Penso que precisamos repensar sobre esse nosso distanciamento, não podemos achar normal essa solidão imposta. Solidão é opção saudável de estarmos quando queremos ser sós, e  não sentimento de vazio por estarmos cercados por milhões de pessoas e não termos ninguém para realmente compartilhar a vida.

Então, por favor, não me “diga” o quanto sou importante na sua vida para meus 957 amigos lerem, bata na minha porta, olhe no meu olho, fale com todas as letras, me abrace, e me faça sentir viva.

Postado ao som de Natalie Merchant – San Andreas Fault

 P.S.: “O facebook é autista” foi uma frase dita pro Fred, um amado amigo, num momento de revolta com o face, e peço licença para aqui usá-la como título. Fred me escreveu um e-mail lindo no meu aniversário, mas eu entendo, ele é “paulista”, ele nunca tem tempo :p.

Os homens que eu não olho

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Deitada na cama olho o céu azul e laranja do entardecer, a noite vem chegando e logo aparecerá a primeira estrela, eu gosto delas. Há pouco saíste daqui. Seu cheiro fica sempre impregnado em todos os tecidos da casa, te sinto no sofá, no travesseiro, na toalha, meu olfato me excita. Tua presença na minha cabeça me excita. Acabaste de sair daqui. Mesmo depois de passar a tarde toda gozando com você, na sua boca, membro, mão e corpo, mesmo assim eu preciso mais uma vez gozar, senão não irei aguentar, nunca sei o dia que vou te sentir novamente e o desespero do gozo se torna tão iminente que o ato será repetido por diversas vezes, toda vez que meu olfato sentir seu cheiro, até o dia de você voltar. Até a ligação que espero todos os dias, às 13h07m, acontecer. Me toco. Você acabou de sair daqui. Gozo. Nunca ninguém me beijou como você, nunca uma língua foi tão delicada e ao mesmo tempo tão profunda em meus poros como a sua, foram muitos homens, mas nenhum me olhou como você, ou eu que nunca quis olhar para eles como olho para você. Você eu quero olhar. Cheirar. Tatear. Provar. Faz uma hora que você saiu daqui, o quarto está escuro, o cheiro está intenso, o seu, o meu, o nosso sexo, o cigarro ordinário. Acendo a luz, o dinheiro está no criado mudo, meu pagamento, 250,00 reais para você passar 4 horas ao meu lado, como se eu fosse cobrar mais caso você ficasse 6, 14, 24 horas. Mas é o tempo que você tem, é o tempo de você voltar para sua vida, é o tempo que você precisa para se satisfazer. Você foi. Preciso tomar banho, logo outro homem vai chegar, um dos primeiros clientes de mais uma noite agitada. Mais um dos tantos que eu não olho, mais um de todos que eu fecho os olhos para suportar, que fecho os olhos para lembrar de você e tornar minha alma um pouco menos pequena, um pouco mais quente, enquanto outro, e não você, goza dentro de mim.

Postado so som de Snoop Dogg ft. Pharrel – Beautiful

Lembro sim sobre a tristeza

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Eu não lembro qual foi o primeiro dia que acordei me sentindo triste, não lembro o que me levou a sentir, o motivo principal ou a combinação de motivos que me encharcou de melancolia. Não lembro de ter dormido com aquela sensação ou ter sonhando com algo difícil, despertado alguma memória perdida e dolorida dentro de mim. Como também não lembro do sentimento tomando conta de mim aos poucos, paulatinamente até um dia eu acordar e me dar conta que tudo de alegre que existia em mim tinha desaparecido. Não lembro como cheguei lá, naquele lugar tão gélido da minha alma, lembro sim, que foram infindáveis despertar e adormecer só sentindo tristeza. Senti minha vida suspensa por medo de pisar naquele chão que eu habitava, perdi o sensível, a sensibilidade de todos meus sentidos. Vi a vida em gris porque as cores me doíam, me traziam algo que eu não queria mais ter. Com a ausência de cores eu parei de sentir os sabores das coisas e o gosto das pessoas, foram com isso também os cheiros, nem mais o meu próprio cheiro eu tinha a capacidade de sentir. O tato foi o sentido mais assustador de perder, é indescritível sentir o maior órgão do organismo morto, não conseguir sentir o calor de uma pele, o arrepio de uma emoção, o frio que desperta, o áspero que incomoda, o macio que conforta, o toque que preenche. Não lembro se foram dias ou meses, mas se foram. Lembro que um dia ela falou que eu nem daria conta quando tudo voltasse ao normal, quando começaria sentir novamente, quando minha vida iria retornar. Realmente não lembro, lembro sim que ela não estava lá, nem outros, nem ninguém, era só eu, fui só eu, e hoje sou eu, somente eu.

Postado ao som de Paul Tiernan – How to Say Goodbye

Sem ele

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Como todo sábado ela acordara pensando qual seria o almoço para eles, o que iriam beber, cerveja ou suco, a salada, prato principal, alguma sobremesa, quem sabe?. Às vezes ele nem almoçava, só acordava e ia para a rua, mas ela sempre fazia o almoço para dois. Não só no sábado, não só o almoço, todos os dias e para todas as refeições.

Esse era único jeito que tinha encontrado de cuidar dele, através das pequenas coisas do dia a dia: a comida gostosa, a roupa limpa, a casa arrumada. De afeição e sentimentos estava seca, incapacitada, todas as suas sensações foram tolhidas por ela mesma, pela vida, e pelas dores que não soube lidar.

Ela não tinha mais vontade de abraçá-lo, de dar carinho, não tinha mais interesse por sua vida. Para ela, ele tinha se transformado em um sujeito qualquer que dividia o mesmo teto. A única emoção que ela ainda manifestava era raiva. Raiva pelo olhar dele que a despia de todas as armaduras e a condenava por tudo o que ela tinha feito, mas principalmente por tudo o que ela não fazia mais.

Ela sentia um abismo dentro de si, e nesse abismo ele tinha ficado do outro lado. Com a distância ele se tornou indiferente a ela, tocava sua vida como se ela não estivesse ali, no sofá triste, no quarto chorando ou fumando inerte na área de serviço.

Às vezes, eles conseguiam se comunicar e nesses breves momentos eles eram novamente únicos, novamente eles tinham amor e sentiam amor um pelo outro. Algumas vezes as lágrimas vinham, embaladas por uma taça de vinho ou uma dose de uísque. Desarmados eles conseguiam falar de seus sentimentos, de suas angústias, deles. Sempre que isso acontecia a casa ficava mais leve, o sono era melhor, o sorriso vinha livre, e ela se sentia feliz.

Ele sabia sim como a fazer mais feliz, ele só tinha esquecido. Ela sabia ainda amar ele, ela só não sabia mais como amar a ela mesmo. Ele ainda a amava, ele só tinha desistido de. Ela ainda se preocupava com ele, ela só não tinha mais vontade. Eles sabiam o quanto eram vida um para o outro, eles só não tinham mais esperança.

Naquele sábado ele não estava mais lá, tinha ido embora, resolvera seguir sua vida, sabia que a distância era necessária. E ela nunca sentiu a casa tão vazia, tão silenciosa, tão sem graça. Ela nunca se sentiu tão sozinha, tão desamparada, com a vida tão sem sentido.

Porém, antes de ir, ele deixou para ela seu coração e pediu para que o usasse enquanto fosse preciso, enquanto o dela não voltasse a bater. Deixou também todos os sentimentos para que ela se apropriasse deles, um a um, conforme fosse preciso.

Sem saber, ao ir embora, ao desistir dela, ele deixou a sua cura. Sem saber, ao deixá-lo ir embora, ao desistir dele, ela lhe deu o amor novamente. Sem entender, eles se separaram para poder se encontrarem.

Postado ao som de Danni Calixto e Adriane Muller – Menos de doer, mais de doar

Luto

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A casa está vazia, sem ar, eu vivi aqui a maior parte da minha vida e hoje só encontro silêncio, poeira e móveis. Somente as lembranças me permitem estar nela.

Ela ainda continua tendo cheiro de casa, da minha casa, dá para sentir que pouco tempo atrás eles todos ainda estavam por aqui, conversando, brigando, convivendo, dividindo, amando uns aos outros.

Vou abrindo as portas dos cômodos, todos sem nossas vidas dentro, todos cheios de tristeza e solidão. O meu quarto está intacto, a mesma colcha, minhas roupas que ficaram por lá, alguns enfeites que nunca tive coragem de tirá-los de lugar, o mural de vidro rachado com as mesmas fotos há anos. Nas fotos pessoas que já foram importante, pessoas que ainda são, outras que nunca importaram, só estavam ali, ao meu lado, na foto, naquele momento. O momento sim foi importante, não elas… reflito.

Sigo pela cozinha, hoje fria e sem cheiros, a sala de tv sem ruídos, a de jantar sem encontros, a copa sem os sabores, os armários sem as guloseimas, a lavanderia sem o movimento, a biblioteca sem o folhear, o violão sem o som, os discos sem as vozes, os corredores sem os passos e as paredes sem os toques.

Abro as janelas, deixo a luz entrar em busca de calor, o mar continua ali, um pouco a frente, ao meu alcance. Me sinto triste, sinto falta da minha vida aqui, daquelas vidas que preenchiam esse lugar. Como viver sem elas? Como ficar de pé sabendo que elas não estão mais aqui?

Preciso de um cigarro, fumar naquela sacada sempre me acalmou. Lembro que é tarde demais, não posso mais falar que eu os amo, não posso mais pedir desculpas, não posso mais abraçá-los e me aninhar. Sempre achei que eu iria ter tempo, que eu iria voltar. Esqueci que o tempo é traiçoeiro e age conforme sua vontade, ele nos tira as pessoas sem nos dar a chance de falarmos tudo que queremos, tudo o que pensamos ou sonhamos. Ou será que ele me deu muitas chances e eu nem percebi? Sempre contei com o outro dia, o amanhã, o porvir, esqueci que essas coisas não existem, que só são palavras repetidas, que elas nunca acontecem, que nunca iremos alcançar ou viver.

Estranha é a vida, tive que perdê-los para aprender a lição do presente, tive que perdê-los para entender que eu só tenho o hoje, e já não me resta muito. Sim, já não tenho mais tempo, já o perdi demais, eles se foram, eu devo ir também, antes que eu perca o tempo que tenho com os que amo e ainda estão comigo. Preciso dizer eu te amo para ele, desculpas para ela, preciso antes que o tempo me alcance.

Postado ao som de The Corrs – Little Wing