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Dez Meses

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Perdi a conta de quantas vezes sentei aqui neste mesmo lugar e tentei escrever, “colocar no papel” um dos tantos textos que declamei mentalmente, expor sentimentos, comentar fatos ou simplesmente criar uma nova história porque a do momento estava muito chata para inspirar algo.

Mas em cabeça, e coração, não se manda, e quando ela não quer, ela não quer. E minha cabeção não quis muitas coisas nesses últimos dez meses! Ela não quis se incomodar com o cara do buraco, nem se sentir culpada pelo cara que nunca vai estar. Ela não quis se empolgar pela menina bela, nem pela bela mulher. Não quis saber da Filosofia, mas a desgraçada se sente culpada e anda batendo a cabeça por aí. Ela não quis comer salada, nem andar 1h por dia, porém quis tomar todas as cervejas que tinha direito, dançar sempre que possível, ver todos as outras cabeças que sintoniza e encarou o seu sonho de liberdade com toda a felicidade e medinho do mundo. Ela resolveu viajar em alguns momentos que não era preciso e em outros que eu precisava do encanto, ela me enterrou no chão. Essa mesma cabeça teimosa e cheia de TPM e bobices, resolveu paralisar por um bom tempo e de repente pulou e começou a correr atrás de um grande sonho.

E cá estou, com quase 36 e mais 7kg, um carro batido na garagem, a motoca do lado linda, uma casa em reforma pra acolher meu mundo, meu preto dormindo em paz do meu lado e alguns bons amigos a caminho de casa.

E parada ou não, a vida que segue, e com isso, lá se foram (ou não) dez meses.

Postado ao som de tantas e tantas músicas ;)

LiberdAMORde

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E para mim, no final do dia, o único e verdadeiro ato de amor é a liberdade.

É preciso amar uma pessoa para ter o respeito de a deixar livre, livre para ela ser quem ela deseja ser, livre para ir sem você, livre para ficar, livre para amar, do jeito dela, do jeito que ela sabe e pode. Amar é reconhecer essa liberdade no outro e admiti-la como a sua. Todos precisamos respirar, todos precisamos viver em potência e temos que ser inteiros para tentar ser feliz, e é preciso ser livre para tudo isso.

Então, por favor, entenda de uma vez: pedaços de personalidade não constroem amor.

Postado ao som de Rihanna & Mikky Ekko – Stay

200 Cigarros

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Decidi que vou parar de fumar, e para isso pela primeira vez na minha vida comprei um pacote de cigarro, 10 maços, com 20 cigarros cada. O último cigarro, o último beijo, a última trepada, a última barra de chocolate, a última cerveja ou dose, o último dia de preguiça, a última vez que vou falar com ela/ele, a última vez que faço isso ou aquilo, realmente não funcionam comigo, meu “nunca” às vezes dura apenas 2 horas. Por isso, resolvi que vou fumar meus últimos 200 cigarros (e alguns extras).

Pra eu deixar de fumar é deixar para trás a única coisa que tenho equilibrada na minha vida, como boa libriana que sou busco incansavelmente o equilíbrio nas coisas sem nunca chegar nesse ideal… óbvio! Mas com cigarro não, fumo desde os 14 anos e de uma forma totalmente equilibrada, aliás minha experiência com cigarro foi quando eu ainda era criança, mas essa história é para outro dia. Por que equilibrada? Porque até hoje não me considero viciada, paro de fumar na hora que acho que devo, sem sofrimento, fico dias sem fumar, e de repente fumo um, tem dias que vou fumar vários, como já fumei um maço numa tacada, e assim vai, fumo ou não fumo, sem ter a necessidade de fumar por fumar. Eu tenho controle sobre essa ato/fato, isso é tão raro, nunca tenho muito controle nas coisas da minha vida, mas quem tem?

Então belo dia desses, me bateu uma crise, logo irei fazer 35 e me toquei que estou me tornando uma adulta velha, logo uma coroa (dependendo do ponto de vista, claro!), e não é crise de idade, só uma crise boa, me toquei que existem algumas coisas que preciso fazer antes dos 40, porque sei que irei perder a vontade lá na frente, a cada década perdemos o tesão por um punhado de coisas, ganhamos tesão por outras tantas e a vida segue, cada idade com suas vontades e paciência.

Me toquei também que preciso cuidar da minha pele porque não quero chegar os 60 com cara de 70, por isso o cigarro, chegou a hora, assim como chegou a hora de levar a sério o tratamento dermatológico, os exercícios e a dieta saudável (pelo menos durante a semana). E assim, como as coisas que preciso cuidar no corpo, fui fazendo mentalmente uma lista de coisas que ainda preciso fazer nos 30, e essa lista me deixou feliz. Não é uma questão de ter objetivos, porque não existe nada de sério nela, nenhuma projeto grandioso, é só uma questão de ter a plena consciência de como gosto de viver a vida e me divertir.

Acho as pessoas em geral chatas, levam tudo muito a sério e fazem a vida ficar muito preto no branco. Amam de menos, riem pouco, dançam quase nada, não fazem muito do que gostam, nem do que vivem, ficam dia a após dia matando tempo de vida, esperando o dia de fazer uma aventura, de viver algo grande, de fazer o que sempre sonhou ou de ir naquele lugar ali do lado. E não temos todo o tempo do mundo, isso é um fato, então porque não hoje ou pelos nos meus próximos 5 anos até os 40?

Por isso minha lista, pois no meio da minha rotina, e entre um domingo depressivo e outro, eu tenho que ter momentos bons e memoráveis, seja um porre com amigos, seja uma grande viagem, aquela rave no final do ano ou a tattoo nova. Sei lá, qualquer coisa que me faça feliz e leve, aquela sensação boa que tenho quando estou dançando uma música deliciosa no meio da sala e rindo sozinha. Momento que sei que a vida é ótima pra caralho, que nenhum problema é grande demais, nenhuma desilusão irá tirar minha fé e nenhuma ferida ficará aberta para sempre. Afinal, temos álcool, amigos, bons amores, comida boa, aquele baseado especial, aquele filme que toca, ouvidos que escutam, praia e caminhadas, noites estreladas, dias azuis, chuva pra dormir, chuveiro quente, muitos doces, e para sempre, aquele cigarrinho terapêutico, não é?

Postado ao som de Mallu Magalhães – Velha e Louca

12 coisas para se fazer no verão ao meu lado

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1 – Acordar quase todos os dias ao meu lado, assim como adormecer, eu disse quase todos os dias tá!;

2 – Rir e rir, rir das minhas preocupações e viagens, enquanto eu rio das suas filosofias;

3 – Sexo, ao meu lado, em cima, embaixo, e do jeito que a gente quiser;

4 – Planejar comigo uma vida mesmo sabendo que no final da estação tudo já pode ter mudado, ou não;

5 – Juntar nossas coleções de DVD’s e assistir aos nossos filmes preferidos;

6 – Viajar para qualquer lugar isolado;

7 – Ir para a praia que eu mais amo nesse mundo e simplesmente contemplar;

8 – Me ajudar a caminhar, enquanto eu te ajudo a sonhar mais;

9 – Me contar a sua vida enquanto eu admirada penso o quanto somos parecidos e idiotas;

10 – Dançar comigo, na minha sala, na sua, em qualquer lugar, porque já sabes que minha vida é feita de música e dança;

11 – Ficar só me olhando, com teus olhos pedintes, enquanto eu insana divago sem parar;

12 – Me amar, por aquele dia, afinal é só o que temos, o dia de hoje.

Postado ao som de Tulipa Ruiz – A Ordem das Árvores

Esse é meu clube

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Merchandising à parte, mas penso que todo mundo deveria usar o Nextel por um bom tempo, explico.

Quando você começa a usar o rádio é algo automático a irritação, todo mundo pensa “que merda isso, eu quero falar mas não posso”. Para quem não conhece, o rádio é comunicação de mão única, primeiro eu vou falar tudo o que eu quero e assim que eu tirar meu dedinho do botão você vai poder responder tudo o que você quiser e vai ser minha vez de escutar tudo, atentamente, sem te interferir.

Num primeiro momento ficamos do outro lado falando, soltando nossas palavras, mesmo tendo a consciência que a pessoa não está escutando, depois de um tempo você se acostuma a ficar em silêncio, esperando pacientemente a pessoa que está do outro encerrar seu pensamento, falar tudo o que ela acha que precisa ser falado, passar o recado inteiro, fazer a pergunta completa para depois ouvir a resposta.  É como na pré-escola, só pode falar quem levanta a mão e só depois que o coleguinha terminar.

Ta aí algo que aprendemos quando pequenos, e logo esquecemos, o caos da impaciência e da falta de vontade em ouvir o outro é a fase adulta, é praticamente impossível você sentar com alguém e conseguir falar sem interferências, todo mundo tem uma história que lembrou, ou um conselho, mesmo que você não tenha concluído o desabafo ou pedido, todo mundo tem algo mais triste ou mais feliz para compartilhar e não pode esperar um segundo. Às vezes nem conseguimos terminar uma pequena história, porque a história do outro é sempre mais interessante e/ou importante.

Convivo com umas pessoas assim, e tem horas que eu desisto de falar sobre mim, deixo a pessoa criar um monólogo, minha única participação são pequenas interjeições “humhum” “ah!” “haha” “que coisa!”. É engraçado que sempre fui uma boa ouvinte, quem me conhece no princípio estranha, que mulher mais calada, e realmente sou, eu acabo conhecendo as pessoas em poucas horas, elas se sentem confortáveis em falar e percebem que realmente estou escutando, e vão se abrindo, mostrando pra mim tudo de bom e ruim que elas viveram, sentiram. Tento me corrigir toda vez que sinto que simplesmente não estou escutando, parto do princípio que todas as pessoas merecem minha atenção e meus ouvidos, até que ela prove do contrário.

O nextel só aprimorou minha capacidade de escutar e me fez perceber o quanto é bacana ter uma conversa onde cada um tem sua vez para falar e escutar, uma experiência única de comunicação.

Tentem, experimentem, não precisa nem adquirir um nextel, experimente isso primeiro numa conversa pelo telefone, depois parta para ao vivo, e perceba como você tem escutado pouco, e pior, muitas vezes errado ;).

Se nada der certo, compre um rádio, e tenha um treinamento intensivo sobre o ato de falar/escutar/ser ouvido/se comunicar, você vai me agradecer a dica.

Postado ao som de Black Lips – Veni Vidi Vici

Abraços

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Dia desses eu estava andando no Ibirapuera e quatro jovens (me senti um pouco velha neste momento) estavam segurando cada um seu cartaz e neles estavam escrito: ABRAÇOS!!!! Por favor!!!

Eu parei por um instante minha caminhada e dei um abraço forte e gostoso num dos meninos e os parabenizei pela campanha, e segui, mais sorridente.

Eu sempre falo sobre abraços que marcaram minha vida, semana passada ainda postei diversos abraços e sensações que eles podem passar, já escrevi no mínimo duas vezes do abraço mágico do Rafa, de como eu guardo a sensação boa que ele me passava, e tantos outros, de tantas pessoas. Meu grande amigo Xilipe, ama abraçar, sinto falta dos abraços dele no meu dia a dia. Afinal, abraço é tudo de bom, é terapêutico e nos deixa mais bem humorados.

Duvida? Então pare de cumprimentar seus amigos, não estou nem falando dos conhecidos, e sim amigos, família, pessoas importantes pra você, com aquele beijinho de bochecha com bochecha. Faça um favor, dispense segundos da sua vida para abrir os braços, grudar peito com peito, dar aquela apertada gostosa, e aí sim, finalizar com um beijo gostoso, com bem mais carinho que aquele mecânico do dia a dia.

Faça isso sempre, com todas as pessoas, passe um pouco dessa energia boa, receba em troca a mesma energia, elas geram sorrisos, diminuem o estresse e proporcionam um dia melhor.

Não seja envergonhado, seja mais humano, mais criança (como me faz bem os abraços que ganho toda semana dos meus pequenos alunos), abra mais seu coração, dê a chance de escutar o coração alheio, faça com vontade, se abra e abrace mais!

I’ll tell you one thing, it’s always better when we’re together…

Postado ao som de Jack Johnson – Better Together (versão deliciosa do cd Rhythms del Mundo)