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Amo você, menino

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Você se engana ao achar que preciso que você sinta amor para eu sentir também, se engana ao pensar que preciso saber que você me ama para estar ao seu lado ou que preciso ter a certeza que um dia estaremos juntos para viver meu amor.

A verdade é que amo você, menino, e não tenho mínimo interesse em saber o que sentes por mim. Não te espero e nunca pensei em te esperar. Sou inteira e feliz com esse amor, vivo ele do meu jeito e por incrível que te pareça é pleno, verdadeiro, sincero. Não me fazes falta pois o que tenho é um sentimento companheiro, carinhoso e cheio de ti. Carrego comigo você por completo, teus cheiros, teus olhares, toques, cuidados, sonhos, risadas e afetos.

Gozo com você todas às vezes que me arde a pele. Choro em seus braços todas às vezes que me falta peito para carregar sozinha. Divido com você sempre que me sinto fraca. Me jogo em seu colo, roubo sua mão, quando o mundo fica cinza. Compartilho todas as cenas, atos, fatos, pensamentos, que me interessam. Recebo todos os abraços quando a alegria me invade e só quero te doar um pouco dela. Sinto todos os beijos toda vez que minha boca lembra da sua. Vivo todos os silêncios que nos acomodam. Preencho todo o nosso espaço e te dou todos os sorrisos que você merece.

Por isso, menino que amo, é que para mim somos além de sermos juntos, somos além de estarmos lado a lado, somos apesar do que sentes, e principalmente, somos apesar do que não sentes.

Postado ao som de Tim Maia – Eu Amo Você

Fragmento de um sorriso

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Num desses tropeços da vida você caiu no meu buraco, quebrado estava, percebi que não fora da queda, você já estava despedaçado e não sei quantas vezes me peguei lhe olhando e perguntando se você já não tinha nascido assim: pedaços de ser, desenho cego de uma criança, ainda sem cor. Custava-me acreditar que você nunca tinha sido uno. Porém um dia você me falou e acreditei nas suas próprias palavras quando de bobeira esbravejou que eu não iria conseguir lhe transformar num homem feliz, você tinha nascido para ser aquele meio alguém tanto para mim como para qualquer outra pessoa. Sem saber, você me fez desistir. Hoje, quando me sinto olhada por você de longe, entendo seu questionamento sobre meu amor e sua força, e tento lhe explicar todas as noites o porquê. Inútil de minha parte, sinceramente não espero que me perdoe por ter lhe deixado no meu buraco, mas entenda, lhe entreguei de coração tudo o que tinha de mais de precioso. Deixei meu espaço, todo ele repleto das minhas boas memórias, tive o cuidado de retirar as risadas que lhe incomodavam, deixei meus melhores pincéis caso um dia você tente se colorir, deixei um armário cheio de carinho e cuidado para te acalentar e um beijo para cada noite, com a esperança que eles jamais lhe firam. E saiba meu amado que se resolvi ir, foi só porque naquele momento eu entendi de uma vez por todas que ao escolher ser fragmentos você escolheu também nunca sorrir, e tudo se fez noite no tal dia dentro do nosso buraco. Eu podia tudo ao seu lado, tudo! Menos me permitir viver sem sorrir.

Postado ao som de Angel – Sarah McLachlan

A respiração que precede ao toque

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Quando ele a beijava tudo por segundos fazia sentindo e se justificava. Ela era dele e nunca mais conseguiria ser de outro. O perfeito encaixe dos maxilares. Através do olhar dele ela se sentia a mais bela e desejada das mulheres. Ele tinha adoração por sua pele, pelos e líquidos, ela sabia que merecia essa adoração. Ele a tratava como única, ela se sentia a única. Ele conhecia cada lugar de seu corpo que lhe dava prazer, ela estremecia. O toque lento e profundo, as digitais dele a penetravam com cuidado e vontade, dilacerando seus músculos e amarras. Ela se entregava. Rendida, ela sempre suplicava por mais um toque, se abrindo em pernas e poros, para receber prazer. Recebia, sempre recebia, porque a fome dentre eles era insaciável, passavam horas e horas se amando disfarçados de sexo. A maioria das coisas nunca precisaria ser dita, eles se entendiam por gemidos, risadas, gozos e olhares. E era quando o olhar negro dela congelava no olhar verde azulado dele que ela sabia que pela primeira vez ela estava inteira para outro ser e que aquele homem resolveu ser inteiro para ela, para sempre a mesma sensação. Porém, medo ela tinha, então, sugava tudo o que podia daquilo, pois a fome poderia vir.  E no momento que sentia a mão dele a se aproximar, inspirava fundo, fazia uma pequena prece de agradecimento, fechava os olhos e expirava, para sentir pelo menos por mais uma vez àquele toque.

Postado ao som de Ashley Monroe & Brendan Benson – Consider me

Às vezes acontece…

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E de repente virou amor, depois de tanto tempo, de tudo tão estabelecido em nossas vidas, eu me vi te amando. Me pergunto como aconteceu? Por que aconteceu? Não fazia parte dos planos, o combinado era você vir, me dar prazer e ir, como se fôssemos dois estranhos, repetindo o mesmo ato ensandecido pós bebedeira que nos uniu. Mas você resolveu ser gentil, se preocupar, me dar carinho, colo, você virou meu amigo, meu amigo!. E com isso, você mostrou o que de melhor tinha dentro do seu coração e começou a fazer meus dias mais leves e meu sorriso se entregou para você com uma facilidade assustadora. Mas como Rainha de Espadas que sou, eu racionalizei tudo o quê estava acontecendo do alto do meu trono com extrema segurança e a arrogância que eu jamais me deixaria levar. Mas a cabeça não manda quando a alma vibra, e num misto de dor/amor e desprezo por você ser tão bom comigo eu concluo que está na hora de você ir. Vá e me deixe aqui no meu mundo, que ele é de pedra e seguro. Vá e leve consigo todos os meus gozos e suspiros. Te arranca da parede e do meio da minhas pernas. Leva seu cheiro, seu corpo que tanto me pesa nessa hora e essa presença invisível que ronda pela minha casa como um mal olhado que me deseja, leva tudo de bom que você tem, porque não é para mim, nunca foi e nunca será, e pelo menos com relação a isso eu ainda consigo pensar.

Postado ao som de Massive Attack – Teardrop

Quando o coração concorda com a boca

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Um tempo atrás, na última ligação que ele me fez, ele disse: “então tá bom, daqui a pouco a gente se vê, te amo”. Completamente sem graça, ele disfarçou, e para tentar desfazer o momento constrangedor eu dei a entender que não escutei, o que o fez respirar aliviado do outro lado da linha.

Alguns diriam que foi um “ato falho”, algo que me agradaria se fosse a verdade. Eu, por outro lado, sei que foi só uma repetição de algo que virou rotina. Ele estava no meio de uma das tantas separações do relacionamento dele de alguns anos, era a segunda vez que eu estava presente ali no meio de uma dessas separações, então ele dizer “eu te amo, beijo e tchau” era só uma rotina do telefone, e ali na hora ele só esqueceu que era eu, a nova na vida dele, e não a ex, e eu fui educada o suficiente para fingir que não ouvi.

Porém, me fez pensar quantas vezes eu falei “eu te amo”, afinal não sou muito de expressar meu sentimento por essa frase. Acho que já poderia ter dito bem mais, e até para mais pessoas, mas não tive coragem. O bom é que a gente cresce e aprende que momentos passam e não há nada do que se envergonhar de sentir algo tão bonito, mesmo que o sentimento não seja correspondido. O que me consola é que todas às vezes que falei essa pequena oração, ela veio espontânea, sem ser premeditada, sem ser rotina e muito menos, sem ser da boca para fora.

Me aflige pessoas que banalizam algo tão lindo de se ouvir, algo tão raro de realmente se sentir entre duas pessoas. Gostamos e nos apaixonamos muito, mas amamos talvez um punhado de gente durante uma vida toda. Amamos às vezes por um breve momento, às vezes por uma vida toda, e isso não interessa, não pesa no ato de dizer com todas as palavras “EU TE AMO”.

Para mim, o que realmente interessa é quando o coração concorda, quando ele pula ao escutar as mágicas palavrinhas emanando da sua própria boca.

Postado ao som de Rick Martin – Lo Mejor de Mi Vida Eres Tú

P.S.: Para minha Pretinha, que esses dias descobriu juntamente comigo o quanto nos amamos!

03:30

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Era madrugada de um sábado qualquer, estava na cama fazendo algo que não lembro, quase dormindo ou brincando de ficar acordada. Meu celular toca, atendo e escuto sua voz trôpega, embalada por algumas doses de vodka: “por que ele não me ligou Ju?

Não consigo imaginar quantas vezes eu mesma me fiz essa pergunta, e como nunca tive uma única resposta que me convencesse. Então, como responder para minha amiga que naquele momento de bebedeira estava com todos os sentimentos à flor da pele, meio chorosa, saudosa, apaixonada, abandonada, com mil fantasias vibrando na pele que não foram realizadas, porque ele não ligou…

Eu poderia ser completamente racional, e assim magoa-la, falando algo que pode ser óbvio para muitos, ele não ligou, porque não quis ligar. Poderia também ser romântica, como muitos nessas horas, e dizer que ele não ligou, porque ele ficou com medo, o amor assusta, e ele foi só mais um dos tantos covardes que ela cruzou ou irá cruzar.

O fato é, que não tenho como responder, jamais teria como saber a resposta e fui sincera, falei com a voz mais cheia de carinho possível, para tentar amenizar a dor dela, e disse: eu não sei amiga, eu não sei porque ele não te ligou. Do outro lado o choro.

Era tudo o que eu poderia fazer por ela naquele momento, escutar ela chorar. E enquanto ela chorava, eu me perguntava, se ele teria a resposta. Penso que não, penso que muitas vezes nem a própria pessoa consegue responder o porquê.

E o triste da madrugada bêbada é justamente perceber que a vida não é filme e as coisas nem sempre são tão bem resolvidas, nem sempre temos ponto final ou de exclamação no final da cena. Na maioria das vezes temos que dormir com a dor no peito, o enjoo nas vísceras, os diálogos infindáveis na cabeça e a dúvida.

Me pergunto quantes vezes na vida eu fui a pessoa que não ligou, não lembro. Isso me faz concluir que todas às vezes que não liguei foi porque realmente a pessoa não importava para mim. Todas as outras eu liguei, fui atrás, e vivi o que a gente podia viver.

Mas essa sou eu, sou daquelas que não foge, que faz acontecer quando quer algo, que vive, mesmo se o medo chegar e os alarmes soarem, eu vou viver o que estiver com vontade, o que faz meu coração pulsar e meu corpo estremecer. A única coisa que pode me impedir de viver é justamente se lá do outro lado da linha a pessoa resolver não atender.

Postado ao som de Galope Rasante – Geraldo Azevedo e Zé Ramalho

O dia que eu cheguei atrasada

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Lá estava eu no casamento daquele homem, lindo, com aquele olhar meigo e aquele sorriso que ilumina, que sempre transbordou amor ao me olhar. Ele me viu crescer, primos, crescemos entre encontros e desencontros. Da paixão da adolescência para o casamento parece que foi um pulo. Passamos anos afastados, a juventude desenfreada onde cada um andava com a sua turma, depois as faculdades e aí nos tornamos adultos e cada um seguiu o rumo da sua vida profissional, em cidades diferentes daquela que nos juntou ainda bebês. Às vezes encontros ao acaso no elevador do prédio de nosso pais, outras em festas da nossa querida família. A cada encontro a total falta de assunto, o desconforto de duas pessoas que viraram adultas e nunca conseguiram viver seus desejos e sentimentos um pelo outro. Encontros rápidos selados por abraços e saudades, muitas saudades.

Eu não lembrava o quanto ele era bonito, o quanto ele me encantava com aquele sorriso bobo. Eu não tinha observado que ele já era já homem feito até o seu casamento. Ver ele entrar naquele salão ao lado de sua mulher, fez meu coração saltar, estava errado aquilo, era para eu estar ali ao seu lado, era para nós termos ficados juntos, estava tudo errado naquela cena. E só naquele momento percebi o curso que minha vida fez, só ali eu enxerguei que me perdi dele, e me perdi porque quis.

Ao nos encontrarmos ele disse ao meu ouvido que me amava, aquele amor que eu reconhecia porque sentia, uma mistura de amor fraternal com o carnal que nunca soubemos lidar. Minha vontade era pegar em sua mão e sair dali, ter a coragem de dizer: “para tudo, é comigo que você tem que ficar, é ao meu lado que você tem que construir sua vida, é a nossa vida que você está nos tirando”. Insano da minha parte seria, e calada fiquei com peito esprimido, latajente, minguando aos poucos.

A festa foi noite a dentro e entre olhares cruzados e sorrisos de felicidades, fui me conformando que atrasada eu estava. Quando fui embora procurei ele em todos os cantos e o achei sozinho bebendo sua última dose antes de começar sua vida como marido. Ao me abraçar, ele me beijou na boca e disse mais uma vez que me amava. Olhei nos olhos e correspondi dizendo que eu o amava/amo muito também. Embora fui, com o corpo estremecido, desejando-o, de uma forma que eu nunca antes o tinha desejado.

Mas era tarde, tarde demais para nós dois.

Postado ao som de Federico Aubele – En Cada Lugar