Arquivo da tag: liberdade

LiberdAMORde

Padrão

E para mim, no final do dia, o único e verdadeiro ato de amor é a liberdade.

É preciso amar uma pessoa para ter o respeito de a deixar livre, livre para ela ser quem ela deseja ser, livre para ir sem você, livre para ficar, livre para amar, do jeito dela, do jeito que ela sabe e pode. Amar é reconhecer essa liberdade no outro e admiti-la como a sua. Todos precisamos respirar, todos precisamos viver em potência e temos que ser inteiros para tentar ser feliz, e é preciso ser livre para tudo isso.

Então, por favor, entenda de uma vez: pedaços de personalidade não constroem amor.

Postado ao som de Rihanna & Mikky Ekko – Stay

200 Cigarros

Padrão

Decidi que vou parar de fumar, e para isso pela primeira vez na minha vida comprei um pacote de cigarro, 10 maços, com 20 cigarros cada. O último cigarro, o último beijo, a última trepada, a última barra de chocolate, a última cerveja ou dose, o último dia de preguiça, a última vez que vou falar com ela/ele, a última vez que faço isso ou aquilo, realmente não funcionam comigo, meu “nunca” às vezes dura apenas 2 horas. Por isso, resolvi que vou fumar meus últimos 200 cigarros (e alguns extras).

Pra eu deixar de fumar é deixar para trás a única coisa que tenho equilibrada na minha vida, como boa libriana que sou busco incansavelmente o equilíbrio nas coisas sem nunca chegar nesse ideal… óbvio! Mas com cigarro não, fumo desde os 14 anos e de uma forma totalmente equilibrada, aliás minha experiência com cigarro foi quando eu ainda era criança, mas essa história é para outro dia. Por que equilibrada? Porque até hoje não me considero viciada, paro de fumar na hora que acho que devo, sem sofrimento, fico dias sem fumar, e de repente fumo um, tem dias que vou fumar vários, como já fumei um maço numa tacada, e assim vai, fumo ou não fumo, sem ter a necessidade de fumar por fumar. Eu tenho controle sobre essa ato/fato, isso é tão raro, nunca tenho muito controle nas coisas da minha vida, mas quem tem?

Então belo dia desses, me bateu uma crise, logo irei fazer 35 e me toquei que estou me tornando uma adulta velha, logo uma coroa (dependendo do ponto de vista, claro!), e não é crise de idade, só uma crise boa, me toquei que existem algumas coisas que preciso fazer antes dos 40, porque sei que irei perder a vontade lá na frente, a cada década perdemos o tesão por um punhado de coisas, ganhamos tesão por outras tantas e a vida segue, cada idade com suas vontades e paciência.

Me toquei também que preciso cuidar da minha pele porque não quero chegar os 60 com cara de 70, por isso o cigarro, chegou a hora, assim como chegou a hora de levar a sério o tratamento dermatológico, os exercícios e a dieta saudável (pelo menos durante a semana). E assim, como as coisas que preciso cuidar no corpo, fui fazendo mentalmente uma lista de coisas que ainda preciso fazer nos 30, e essa lista me deixou feliz. Não é uma questão de ter objetivos, porque não existe nada de sério nela, nenhuma projeto grandioso, é só uma questão de ter a plena consciência de como gosto de viver a vida e me divertir.

Acho as pessoas em geral chatas, levam tudo muito a sério e fazem a vida ficar muito preto no branco. Amam de menos, riem pouco, dançam quase nada, não fazem muito do que gostam, nem do que vivem, ficam dia a após dia matando tempo de vida, esperando o dia de fazer uma aventura, de viver algo grande, de fazer o que sempre sonhou ou de ir naquele lugar ali do lado. E não temos todo o tempo do mundo, isso é um fato, então porque não hoje ou pelos nos meus próximos 5 anos até os 40?

Por isso minha lista, pois no meio da minha rotina, e entre um domingo depressivo e outro, eu tenho que ter momentos bons e memoráveis, seja um porre com amigos, seja uma grande viagem, aquela rave no final do ano ou a tattoo nova. Sei lá, qualquer coisa que me faça feliz e leve, aquela sensação boa que tenho quando estou dançando uma música deliciosa no meio da sala e rindo sozinha. Momento que sei que a vida é ótima pra caralho, que nenhum problema é grande demais, nenhuma desilusão irá tirar minha fé e nenhuma ferida ficará aberta para sempre. Afinal, temos álcool, amigos, bons amores, comida boa, aquele baseado especial, aquele filme que toca, ouvidos que escutam, praia e caminhadas, noites estreladas, dias azuis, chuva pra dormir, chuveiro quente, muitos doces, e para sempre, aquele cigarrinho terapêutico, não é?

Postado ao som de Mallu Magalhães – Velha e Louca

Sempre como um fim, nunca como um meio

Padrão

Esses dias estava escutando uma conhecida falar sobre seu casamento de 18 anos, e que uma das coisas que ela mais gosta de fazer com o marido é conversar, eles passam horas e horas, às vezes até de madrugada conversando. Besteiras, coisas sérias, resolvendo problemas, traçando planos, desabafando, compartilhando o dia, a vida e tudo que nela tem de bom e de ruim.

E coincidentemente eu tinha falado para uma amiga naquele mesmo dia, sobre um ser que reapareceu na minha vida, e que a coisa que eu mais gostava entre a gente era as nossas conversas. E esse mesmo ser, dia desses, falou em resposta ao meu “a gente funciona melhor como amigos, melhor tirar o sexo da jogada dessa vez”, que eu estava certa porque sexo gera intimidade e com isso a falta de respeito.

Fiquei pensando sobre isso e cá estou, e não concordo com ele, porque somos íntimos desde o momento que nos conhecemos, antes do sexo, e por experiência própria sei que sexo não gera intimidade, não esse tipo de intimidade que me encanta. A intimidade do sexo é rasa, fazemos isso com estranhos, fazemos sexo por anos com algumas pessoas e não conseguimos ser íntimos. Para a maioria das pessoas damos um limite de até onde ela pode nos conhecer, até onde queremos mostrar quem realmente somos, às vezes é proteção, noutras pela imagem construída, outras porque realmente dá trabalho bancar quem se é para o mundo.

Para mim, intimidade é justamente isso, a liberdade de poder ser o que se é, sem medo do julgamento, de ver o horror estampado na cara da pessoa por algo que você fez, é não precisar pisar em ovos, nem dizer meias verdades, é poder mostrar o seu pior e ter a certeza que a pessoa continuará ali do seu lado, porque ela sabe que você é só humano, e ser humano não é nem ser vil e nem bom, é só uma questão de existir. Intimidade também é poder mostrar o seu melhor, sem parecer bobo, sem se achar vulnerável ou fraco.

E concluo que todas as pessoas que me apaixono, com sexo ou sem sexo, são pessoas que me torno íntima em questões de horas, elas me deixam ser sem preocupações, às vezes podem até se chocar e me reprimir por algo que discordam, eu aceito, eles me aceitam por aquilo, e a vida continua, e vice-versa. Onde tem intimidade não tem desrespeito, e pra mim relações íntimas são simples assim. É um perdão instantâneo, é a ausência de julgamento, é o ouvido que realmente escuta, é o abraço que realmente acolhe.

Aliás, o abraço forte e gostoso, é uma das expressões físicas da intimidade. Pense quantas pessoas você realmente abraça, sem medo da pausa, sem medo de correr o risco de escutar um coração batendo no outro peito, sem tempo para acabar? Então…. guarde-as com carinho, pois são elas que fazem a gente valer a pena.

Postado ao som de Chopin – Raindrops (Prelúdio)

Eu Não Preciso de Cura!

Padrão

Hoje foi mais um dia triste para o Brasil, em meio a protestos válidos e o vandalismo instaurado por várias cidades do nosso país, algo de muito sujo acontecia em Brasília. A Comissão de Direitos Humanos, em uma votação simbólica, aprovou o projeto “Cura Gay”, o projeto agora segue o caminho para votação em outras instâncias, e creio que não irá chegar à Câmara, mas nunca sabemos até onde vai o poder das igrejas que estão no nosso governo.

Nós gays precisamos de sua atenção, precisamos que toda a sociedade olhe para o que está acontecendo, pois estamos ficando com medo.

Eu não sei como traduzir a tristeza que é deslumbrar a possibilidade de novamente sermos tratados como doentes, que nossa opção sexual poderá ser tratada como uma patologia em que algumas sessões de terapia, quem sabe algum remédio novo (ou no pior dos casos uma sessão com um bom pastor) poderiam  nos curar.

Esse ideia é tão repugnante e fere num grau tão profundo nossa humanidade, que sentimentos de revolta surgem quase que instantaneamente. Mas não podemos sair por aí espalhando preconceito e ódio contra cristãos, evangélicos e homofóbicos em geral, seria nos rebaixarmos a ignorância deles. Mas, como então nos defender? Como fazer com que as pessoas nos encarem como seres humanos dignos de respeito, que só querem viver plenamente? Como não se revoltar?

Precisamos de ajuda, não tenho dúvida, somos uma minoria e precisamos da ajuda de todos que nos veem com o mínimo de simpatia, que seja, compaixão. Não me fale que você não tem nada a ver com isso! Você tem e sempre terá, por mais heterossexual que você seja, tenho certeza que se um dia alguém que você ama lhe diga que é homossexual você vai desejar que ele tenha o direito de ter todos os mesmos direitos que você e que não seja tratado como doente.

Então, por favor nos ajudem, não deixem a violência e a ignorância ser maior!

Eu sou bissexual e eu não preciso de cura!

Postado ao som de Tok Tok Tok – Walk On The Wlid Side

Aquela mulher

Padrão

Dez anos de relacionamento com o homem de sua vida, um trabalho que lhe permite conhecer muitas pessoas, e foi através dele que nos conhecemos.

Uma mulher me chama atenção por sua atitude perante a vida, pelo seu espírito forte, que eu reconheço nos primeiros olhares trocados, por sua segurança, independência emocional e liberdade. Temos muito em comum, uma alma meio louca e liberta.

Ela gosta de me contar, entre sorrisos maliciosos, sobre o dia que ela se pegou olhando para os meus seios, a vergonha que sentiu ao pensar que alguém daquela mesa poderia ter percebido que ela tinha se perdido em mim por alguns segundos, contudo, segundos que fizeram seu corpo estremecer e despertar para um desejo que até então estava em algum canto desconhecido de si. Aquele dia ela decidiu que eu seria a mulher que ela queria, a mulher que ela iria experimentar e se permitir viver seus mais recentes e íntimos desejos.

Aos poucos ela foi revelando-os para mim, através de um olhar, uma pergunta curiosa, um gesto espontâneo. Com o tempo ela começou a fazer relatos minuciosos de suas fantasias e expressar livremente o que sentia por mim, algo que me deliciava. Ela sabe o quanto me encanta com sua espontaneidade, essa capacidade de verbalizar livremente, sem filtros ou meias palavras, seus apetites mais vorazes e sentimentos mais profundos.

Um dia aconteceu, sem planejamentos, fui visitá-la para passarmos a tarde conversando sobre nossos relacionamentos e vidas. Porém, a cada taça de vinho seu olhar ficava mais libidinoso, seu corpo mais lascivo, sua boca mais pedinte.

Ali realizei alguns dos seus desejos mais latentes, senti o prazer de ter seu tesão completamente devotado ao meu ser e àquele momento. Ali ela se entregou de uma forma que poucas mulheres tiveram a coragem de se entregar pra mim. Seu corpo trêmulo em plano estado de gozo só fazia o meu querê-la mais e mais. Eu sentia sua fome e queria saciá-la.

Por ali ficamos até o outro dia, numa intimidade que há muito cultivávamos e que só se fez aumentar. Éramos duas amigas de longa data conversando, duas amantes se consumindo em sexo, dois seres vivendo sua essência, gozando da vida, sem pudores, sem juízos e culpas, naturalmente existindo e sendo.

Nossa amizade se transformou, hoje existe uma cumplicidade e sentimentos que ultrapassam qualquer distância. Não desejamos nada além de amor uma para outra, e nesse amor tudo o que há de intrínseco e explícito.

Postado ao som de Denis Graças e Suzana Lubrano – Sonho

Que teus caminhos sejam sempre iluminados!

Eu e a dança

Padrão

Ela é simplesmente apaixonante, porque é feita de sons, batidas, melodias infindáveis, dança e riso.

Desde pequena com perna grossa e com personalidade forte, nunca foi dada ao clássico, apesar de achar lindo até hoje, e, como para toda menina, ter sido sua primeira referência de dança. Todavia o ballet não era seu estilo e ela já sabia disso aos 9 anos, aprendeu dele o que precisava para tornar seus movimentos mais leves e soltos, já dentro de suas aulinhas de jazz, nunca pensou em usar tutu.

Cresceu dançando, os ritmos apegam-se à ela, colam em sua pele e a arrepiam, ela sente na alma cada marcação, cada compasso que a faz se movimentar. De olhos fechados ao dançar vai longe, é como se ela fosse de outro mundo, um mundo cercado de dança, música, estrelas e paz.

Flutua enquanto seu corpo acerta o movimento, mexe seu quadril como se estivesse fazendo amor com o vento, comigo, com todos. Nos seduz ao ponto de deixar nossos olhos vidrados, acompanhando-a enquanto ela rodopia.

Suas belas pernas têm movimentos tão sensuais que é como se fosse um convite a adentrá-las, percorrê-las por inteiro, segurá-las numa tentativa de que elas parem, mas como ousar parar o movimento de algo tão belo.

Possui tronco e braços que envolvem o ser que a conduz, mal sabe ele quão invejado é pelos os que a observam bailar. A possibilidade que ele tem de envolvê-la por inteiro, segurar sua nuca, costas e mãos, sentir o olor de seu pescoço, o suor da sua pele, tocar seus cabelos e rosto. O prazer dele é sentido pelos espectadores, na sua procura incessante em tocar seu corpo. Libidinoso a solta por alguns instantes para ter a chance de retê-la mais forte, deixando-a cair novamente em seus braços, num passo ousado e premeditado. Sorrindo ela se abre, se envolve, enleva seu parceiro, confia na força dele e se prende aquele corpo que é sua fortaleza por apenas alguns minutos, o breve momento de uma música.

Linda e gentil como uma dama, sempre retribui com um sorriso, um beijo, e um abraço forte o seu cavalheiro. Agradece de coração por ele fazer dela uma mulher mais feliz, vira as costas e parte para a próxima dança, deixando para trás atônito alguém que para sempre vai desejá-la.

Se eu pudesse eu a colocaria numa caixinha de música para vê-la dançando todos os dias só para mim, tornando minha vida mais bela, mas seria egoísta de mais da minha parte privar a todos, então me contento de mirá-la de longe, na esperança que um dia eu tenha coragem de pedir sua mão para a próxima dança.

Postado ao som de Coldplay & Rythm Del Mundo – Clocks (versão salsa)

Ser GLBTTS

Padrão

Hoje foi a Parada do Orgulho Gay em Sampa, uma das maiores do mundo, 4 milhões de pessoas estavam lá na Av. Paulista, e eu estava por lá, e mais uma vez, ao pisar na Paulista e ver a multidão, me emocionei por fazer parte daquilo tudo.

Abaixo posto novamente o texto que escrevi ano passado para exprimir mais uma vez meu orgulho de ser GLBT.

________________________________________________________________

Dia 05 de Setembro, teve a Parada de Orgulho Gay em Floripa (SC), e eu estava  por lá.

Já fui em algumas paradas, e a despeito das críticas do pessoal gay que hoje a considera como “carnaval fora de época”, claro que sou obrigada a concordar que ela perdeu o foco na luta pelos nossos direitos, mas acho sensacional este dia, e digo mais, o gay que nunca foi em uma está perdendo.

Acho que todos – Gays – Lésbicas – Bissexuais – Travestis – Transexuais – Simpatizantes – sentem um pouco da emoção e do orgulho de estar ali, é o nosso dia, é a nossa festa, podemos pelo menos uma vez no ano nos sentir livres, nos beijar a céu aberto, apresentar nossas famílias, olhar nos olhos de todos e ver que não precisamos nos esconder, que não envergonhamos a ninguém por sermos nós mesmos.

Naquele dia especial nos sentimos especiais, nos sentimos fortes e unidos.

Quantas histórias estão ali caminhando atrás daquela linda bandeira colorida, quantos sofreram por bancar sua opção sexual, quanta violência física ou verbal tiveram que tolerar de estranhos e muitas vezes de suas próprias famílias. Quantos medos tiveram que superar, quanto ódio e intolerância tiveram que suportar.

Quantas conquistas também, batalhas ganhas, emoções, alegrias, prazeres, amores e amizades, quantas novas experiências vieram a partir do momento que nos assumimos na frente do espelho o que somos.

No nosso dia, estamos lá fazendo festa e com o sorriso no rosto, estamos mostrando para o mundo nossa alegria, nosso jeito de amar, nossas identidades. No nosso dia, ninguém precisa se esconder no armário, ninguém precisa se assumir, estamos lá simplesmente sendo, pelo menos naquele dia.

Poder andar livremente é com certeza um dos sonhos que todos temos, andar de mãos dadas com nossos parceiros, sem sentir o peso do julgamento, sem escutar as famosas frases que nos perseguem, poder andar sem se preocupar em se afirmar, ou que está sendo desrespeitoso com outro ser humano.

Numa parada gay, por algumas horas nosso sonho se realiza, por algumas horas estamos num mundo onde não existe preconceito, num mundo onde todos podemos conviver livremente e em paz, num mundo onde a letra S (de simpatizante) não precisaria estar ali.

Ser GLBTTS implica em ser forte para encarar o mundo e poder viver uma vida verdadeira, só por isso todos os outros seres humanos já deveriam tirar o chapéu para todos aqueles, assim como eu, não tem medo e nem vergonha de dizer “EU SOU G-L-B-T-T-S”.

A todos os gays, que fazem este mundo um mundo mais colorido, o meu amor.

Postado ao som de Cowboy Junkies – Sweet Jane