Sempre como um fim, nunca como um meio

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Esses dias estava escutando uma conhecida falar sobre seu casamento de 18 anos, e que uma das coisas que ela mais gosta de fazer com o marido é conversar, eles passam horas e horas, às vezes até de madrugada conversando. Besteiras, coisas sérias, resolvendo problemas, traçando planos, desabafando, compartilhando o dia, a vida e tudo que nela tem de bom e de ruim.

E coincidentemente eu tinha falado para uma amiga naquele mesmo dia, sobre um ser que reapareceu na minha vida, e que a coisa que eu mais gostava entre a gente era as nossas conversas. E esse mesmo ser, dia desses, falou em resposta ao meu “a gente funciona melhor como amigos, melhor tirar o sexo da jogada dessa vez”, que eu estava certa porque sexo gera intimidade e com isso a falta de respeito.

Fiquei pensando sobre isso e cá estou, e não concordo com ele, porque somos íntimos desde o momento que nos conhecemos, antes do sexo, e por experiência própria sei que sexo não gera intimidade, não esse tipo de intimidade que me encanta. A intimidade do sexo é rasa, fazemos isso com estranhos, fazemos sexo por anos com algumas pessoas e não conseguimos ser íntimos. Para a maioria das pessoas damos um limite de até onde ela pode nos conhecer, até onde queremos mostrar quem realmente somos, às vezes é proteção, noutras pela imagem construída, outras porque realmente dá trabalho bancar quem se é para o mundo.

Para mim, intimidade é justamente isso, a liberdade de poder ser o que se é, sem medo do julgamento, de ver o horror estampado na cara da pessoa por algo que você fez, é não precisar pisar em ovos, nem dizer meias verdades, é poder mostrar o seu pior e ter a certeza que a pessoa continuará ali do seu lado, porque ela sabe que você é só humano, e ser humano não é nem ser vil e nem bom, é só uma questão de existir. Intimidade também é poder mostrar o seu melhor, sem parecer bobo, sem se achar vulnerável ou fraco.

E concluo que todas as pessoas que me apaixono, com sexo ou sem sexo, são pessoas que me torno íntima em questões de horas, elas me deixam ser sem preocupações, às vezes podem até se chocar e me reprimir por algo que discordam, eu aceito, eles me aceitam por aquilo, e a vida continua, e vice-versa. Onde tem intimidade não tem desrespeito, e pra mim relações íntimas são simples assim. É um perdão instantâneo, é a ausência de julgamento, é o ouvido que realmente escuta, é o abraço que realmente acolhe.

Aliás, o abraço forte e gostoso, é uma das expressões físicas da intimidade. Pense quantas pessoas você realmente abraça, sem medo da pausa, sem medo de correr o risco de escutar um coração batendo no outro peito, sem tempo para acabar? Então…. guarde-as com carinho, pois são elas que fazem a gente valer a pena.

Postado ao som de Chopin – Raindrops (Prelúdio)

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